Desafios de uma igreja relevante

16-12-2011 12:06

Desafios de uma igreja relevante

Atos 20:17-35 

 

"17De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja. 18 E, quando se encontraram com ele, disse-lhes: Vós bem sabeis como foi que me conduzi entre vós em todo o tempo, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, 19servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram, 20jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, 21testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. 22E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, 23senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. 24Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. 25Agora, eu sei que todos vós, em cujo meio passei pregando o reino, não vereis mais o meu rosto. 26Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; 27porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus. 28Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. 29Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. 30E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. 31Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um. 32Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados. 33De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; 34vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo. 35Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber."

 

INTRODUÇÃO

 

                Há questões em nossas vidas que, às vezes, não devemos resolver no calor da necessidade, pois podemos agir precipitadamente.

Se o caso não for de vida ou morte, sempre é aconselhável “deixar dormir na gaveta” para poder se avaliar o problema com mais objetividade.

A minha ida ao seminário poderia ter ocorrido em 1995. Em 1998, teria me tornado bacharel em teologia e em 1999 teria iniciado a minha Licenciatura, se assim Deus permitisse. Entretanto, há outros acontecimentos que influenciam nossas tomadas de decisões. No meu caso, existiram pelo menos dois aspectos:

                A necessidade de um amadurecimento pessoal e consciente com aquilo que realmente importa para mim;

                A necessidade de uma confirmação do chamado de Deus:

                                1. Pela intervenção do Espírito Santo em minha vida e

                                2. Pelo aprendizado desenvolvido na vida comunitária.

 

                Isso, no entanto, não quer dizer que tudo deve ser postergado para o outro dia ou que deva ser eternamente postergado. à à à Cada situação exige uma reflexão específica!

                Não sei quantos aqui tiveram que ADIAR ou CANCELAR algo em sua vida:

 

Uma viagem

Uma visita a um enfermo que nunca pode ser feita

Uma celebração de casamento em razão de um acontecimento inesperado

Um aconselhamento familiar, tendo em vista que naquele momento o bom senso dizia que aquele não era o melhor momento.

 

                O evangelista Lucas explica que, embora Paulo planejasse subir para Éfeso ele viu-se compelido a mudar de plano, em razão de seu desejo de chegar a Jerusalém em tempo para o Pentecoste (v. 16). Por isso mandou aviso aos anciãos da igreja local (presbíteros) para que viessem a Mileto[1].

            Ali se encontraram e se despediram com um discurso e com uma oração que calou profundamente no coração de todos, produzindo um avivamento de emoções que se concretizaram em abraços, beijos e lágrimas, motivados pela grande admiração que todos tinham por Paulo e do afinado amor que por Paulo dedicavam, sentindo ao mesmo tempo: peso de maiores responsabilidades que teriam e; A saudade que experimentariam.

                Quais são os Desafios de uma igreja relevante? Qual a influência Paulina frente ao nosso ministério ou a nossa postura à frente da Igreja de Cristo, como líderes servos... vamos falar primeiramente sobre...

 

PRIMEIRO - A nossa pregação

                Uma das principais características de Paulo era sua pré-disposição a fazer o que lhe era designado. Esta característica lhe deu o titulo de ter sido o que mais trabalhou em prol da expansão do Reino de Deus. Vejamos dois aspectos do ministério paulino:

                Plantação de igrejas: O que motivava o apóstolo Paulo a sair plantando igrejas, organizando comunidades ao longo da bacia do Mediterrâneo, apesar da rejeição dos seus patrícios e das implacáveis perseguições que sofria? O que o movia não eram arroubos de piedade, espírito proselitista, amor ao lucro, popularidade ou qualquer outra motivação similar. Essas motivações não teriam suportado as angústias do campo missionário por muito tempo. Paulo estava motivado por suas convicções teológicas. Sua ação missionária era resultado dessas convicções. E elas eram de tal natureza que impeliam o apóstolo a ir ao mundo para proclamar o Evangelho e plantar novas igrejas.

            Pregação: Paulo desde sua infância foi muito bem instruído, frequentou A escola da sinagoga ajudava os pais judeus a transmitir a herança religiosa de Israel aos filhos. Com apenas cinco anos de idade o menino começava a ler as Escrituras. Aos dez, estaria estudando a Mishna com suas interpretações emaranhadas da Lei. Assim, ele se aprofundou na história, nos costumes, nas Escrituras e na língua do seu povo. O vocabulário posterior de Paulo era fortemente colorido pela linguagem da Septuaginta, a Bíblia dos judeus helenistas. Por fim, Saulo de Tarso passou em Jerusalém sua virilidade “aos pés de Gamaliel”, onde foi instruído “segundo a exatidão da lei...“ (At 22:3).

                Paulo tinha muito conhecimento e isso lhe dava autoridade no discurso, tanto que Quando Paulo chegou a Atenas, ao sair de Tessalônica, estava em outro ambiente. Ali ele não começa com a exposição das Escrituras, mas começa com o monoteísmo, quando é convidado a falar no Areópago. O apóstolo começa ensinando quem é Deus, o que ele faz e como podemos servi-lo. E dessa forma, argumenta logicamente até chegar a Cristo e sua ressurreição. Era esse o seu método invariável. Era um evangelista-mestre! Não podemos separar estas duas coisas

                 E nós temos plantado igrejas?  A IPIB nasceu pequena. No entanto, o fervor inicial, que era muito grande, propiciou à Igreja um crescimento muito expressivo. Em pouco mais de dez anos, a nova Igreja quase alcançou o mesmo número de membros da Igreja Presbiteriana, da qual saíra em 1903. Era tão impressionante esse crescimento e tão significativo esse fervor que a IPIB ganhou um carinhoso apelido: "Igrejinha dos milagres"!

Quantas cidades que fazem parte de nosso presbitério tem no mínimo 1 igreja ou uma congregação?

              Como tem sido nossa pregação? Estamos alicerçados na Palavra de Deus, isto é fato, mas será que estamos vivendo o que pregamos? Quantos discursos só passam de discursos? Essas são algumas das perguntas que precisamos trazer a tona em nossa vida ministerial e como igreja viva e relevante.

                Nosso papel como pregadores das boas novas da Salvação é apontar para Cristo e não somente proferir palavras bem colocadas, mas ter uma postura que indique a transformação que o evangelho produziu em cada um de nós, assim o anúncio da verdade cristã que pregamos aos não cristãos produzirá as conversões verdadeiras e bem alicerçadas na Palavra de Deus.

Acabamos de discutirmos sobre a nossa pregação, agora vamos falar do...

 

SEGUNDO - O nosso testemunho

                Paulo dá o seu testemunho no v. 18. Relembremos de forma sucinta sua vida:

                Paulo foi o maior perseguidor de cristãos, mas Jesus aparece e muda a sua história, e a partir de então ele passa a fazer parte da equipe e começa a trabalhar a favor do Evangelho.

              A rendição de Paulo ao Senhorio de Cristo foi imediata e absoluta. Desde o momento em que ele reconheceu que Jesus não era um impostor, mas o Messias dos judeus (o nosso Messias). Soube assim que só poderia (e pode) haver uma resposta: Jesus Cristo, o Senhor!

Toda a história se resume nas suas duas primeiras perguntas: “Quem és tu, Senhor?” (Atos 22:08)  “Que farei, Senhor?” (Atos 22:10)

                A verdadeira conversão sempre resulta em rendição à vontade de Deus, pois a fé salvadora implica obediência (Romanos 1:5).

 

“por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios,” (Rm 1:5) “13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. 14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” (João 15:13-14)

 

                Clarence Edward Macartney[2] escrevendo a respeito de Paulo, afirma que:

 

"O mais amargo inimigo tornou-se o maior amigo. A mão que escrevia a acusação dos discípulos de Cristo, levando-os à presença dos         magistrados e para a prisão, agora escrevia epístolas do amor redentor de Deus. O coração que bateu de júbilo quando Estevão caiu sobre as pedras sangrentas, agora se regozijava em açoites e apedrejamentos por amor de Cristo. Do outrora inimigo, perseguidor, blasfemador proveio a maior parte do Novo Testamento, as mais nobres declarações de teologia, os mais doces poemas de amor cristão" (J. O. Sanders, p.28).

 

                E o nosso testemunho?

                Muitos de nós que estamos aqui neste lugar sagrado, tivemos uma experiência de conversão, outros talvez nem ao menos se lembrem como foi, porém, o mais importante é que somos chamados por Deus para ser mensageiros da sua Palavra, da mesma forma que Paulo.

Temos que manter viva em nossa mente qual é o propósito de nosso chamado.

            Como temos visto diversos pastores e líderes evangélicos estão dando péssimos testemunhos:       ▼falando verdadeiras heresias nos púlpitos espalhados pelo Brasil e no mundo;

                        ▼proferindo palavras que somente fazem confundir ou oprimir as pessoas;

                        ▼pregando o que eles mesmos não vivem;

                Temos uma missão em nossas mãos: reverter este quadro! Temos que mostrar que somos uma geração de ministros cristãos {nossa vida deve estar a serviço do Reino de Deus} comprometidos com os valores do Reino de Deus e não crentes nominais.

Paulo na carta aos Filipenses no capítulo 1:9-11 faz uma oração. Vejamos suas palavras: 9E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, 10para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, 11cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de DeusApós discutirmos a respeito do nosso testemunho temos que falar sobre

 

TERCEIRO - O que ensinamos

                Para sabermos um pouco do que Paulo ensinava precisamos lembrar que ...Ananias foi convocando por Jesus a ir até Saulo, pois o mesmo estava o aguardando. Ele certamente teve medo, porém obedeceu. Aqui vemos o primeiro momento do seu discipulado. Paulo não poderia ter pregado em Damasco se não tivesse sido instruído antes, apesar de ser um conhecedor da lei, pois os seus discursos tinham coesão com o assunto,

 

        > ter ousadia em seus palavras (afinal, estudou aos pés de Gamaliel [rabino])

        > O diferencial foi o seu ENCONTRO com Jesus de Nazaré e sua OBEDIÊNCIA em amor a Ele.

 

                Muitas pessoas se converteram com suas palavras. Timóteo foi discípulo de Paulo, ele ensinou tudo o que sabia para ele, não deixou nada para traz. (cf. Cartas Pastorais)

                Paulo pode ser considerado um multiplicador de visão. Discipulado é o ensino de algo que realmente interessa. Este homem foi usado para instruir muitas pessoas. Seus ensinamentos são muito preciosos, ele ensinou muito.

                O que nós vamos ensinar?

                Vários aqui tiveram a oportunidade de estudar durante vários anos. Existem pastores que se formam em teologia e não param de estudar, buscam novas ferramentas pra dar sustentabilidade no que ensinam...

                No seminário, há um amigo meu chamado Eduardo, que estudou vários anos, devido as idas e vindas seu curso demorou vários anos, a maioria de nós estudamos 4 anos e alguns como os da ultima turma estudaram 3 anos, em razão da urgência no fechamento do Seminário em Londrina.

Mas não importa tanto o tempo! Temos que entender que aqueles que foram até lá objetivaram encontrar FERRAMENTAS que nos auxiliarão em nossa caminhada, a hermêutica, exegese, homilética e outras matérias que merecem o nosso apreço especial, todas nos servirão para que da nossa boca não saia bobagens.

                Paulo afirma que pregou todo o desígnio de Deus (v. 27). Nós também temos que pregar tudo conforme o tempo nos permitir. Temos como referência em nossa denominação João Calvino. Ele foi um homem extremamente preocupado e comprometido com o ensino. Tinha uma preocupação com os sermões por ele pregados.

                Thomas Henry Louis Parker[3] escreveu: “domingo após domingo, dia após dia, Calvino subia os degraus até o púlpito. Lá, ele pacientemente conduzia sua congregação, verso a verso, livro após livro da Bíblia”. Raras eram as exceções a este padrão.

 

Calvino pregava de forma seqüencial versículo a versículo, livro por livro, isto rendeu-lhe uma grande quantidade de sermões. Vejamos quantos sermões ele pregou do primeiro ao último capítulo: Gênesis, Deuteronômio, Jó, Juízes, 1º e 2º Samuel, 1º e 2º Reis, os profetas maiores e menores, os evangelhos, Atos, 1ª e 2ª Coríntios, Gálatas, Efésios, 1ª e 2ª Tessalonicenses, 1ª e 2ª Timóteo, Tito e Hebreus. Foram 89 em Atos, 65 sobre a harmonia dos evangelhos, 174 em Ezequiel, 159 em Jó, 200 em Deuteronômio, 353 em Isaías, 123 em Gênesis, 107 sermões em 1º Samuel e 87 em 2º Samuel, e vários outros que aqui não relatado, mas que foram séries por ele trabalhado. à Para Calvino, o assunto que deve ser ensinado é a Palavra de Deus e a melhor forma de compreender seus princípios.

 

                Michael Horton[4] escreveu que “Pregar a Escritura é pregar a Cristo; pregar à Cristo é pregar a cruz; pregar a cruz é pregar a graça; pregar a graça é pregar a justificação; pregar a justificação é atribuir o todo da salvação à glória de Deus e responder a essa Boa Nova em grata obediência por meio de nossa vocação no mundo”. (Reforma Hoje)

                E nós? O que temos pregado {ATOS e PALAVRAS}? Já pensamos como vamos trabalhar a nossa forma de exposição das Escrituras? Ou vamos pregar somente o que dá “ibope”?

                 Após discutirmos a respeito sobre nossa pregação, do nosso testemunho e sobre o que ensinamos, então podemos concluir...

                 Quem nunca ouviu falar daqueles três gestos à não ouvir, não ver, não falar?

                Lembro-me de uma história verídica que muito me chamou a atenção. Quem não se lembra do vídeo da Andressa Duarte, aquela jovem que durante algum tempo se dedicou em fazer a obra de Deus? Quantos sonhos ela tinha, seu trabalho era alcançar as pessoas, o que ela se preocupava (o que era realmente importante para ela) não era com o reconhecimento, mas se preocupava com as vidas que Deus tinha para resgatar a sua volta.

           Como uma criança, sem o conhecimento catedrático, sem passar por um seminário teológico pode saber tanto sobre missão? Sua semana começava como segue:

 

Domingo com evangelismo público na rádio comunitária,

          Segunda à trabalhos missionários,

                  Terça à ajuda humanitária e classe bíblica,

                         Quarta à assistência social,

                                   {E quinta? Folga “ministerial”}

Sexta à oração intercessória,

                                          Sábado à evangelismo pessoal.

 

                Ela diz que seu pequeno grupo aumentou de 10 para 20, 25 e 45 crianças. Andressa levou mais de 100 pessoas ao batismo, e muitas outras foram influenciadas através de seu exemplo (testemunho). Mas as palavras dela que não saem de minha memória é “se não fizermos a nossa parte agora, se quisermos fazer amanhã talvez não dê mais tempo”.

                Com certeza quando ela se encontrar com Jesus, Ele irá abrir uma porta e lhe mostrará os frutos do seu trabalho. Ele dirá: aí estão os seus galardões.

                    Fica para nós o desafio de sermos referenciais em nosso ministério, com uma pregação, testemunho e ensino relevantes ao nosso tempo.

Temos que trabalhar não para sermos reconhecidos, mas para servir em obediência ao nosso chamado

                    Que Deus assim nos abençoe e nos dê oportunidades de servimos a tempo e a fora de tempo em obediência ao Seu chamado

 


[1] I. Howard MARSHALL, Atos – Introdução e Comentário, pp. 307-308.

[2] Pastor Presbiteriano Conservador e Teólogo (Ohio - EUA / 1978-1957†).

[3] Um dos escritores da biografia de Calvino. Revisor de Teologia - Universidades Cambridge e Durhan, Inglaterra.

[4] Escritor e Professor do Seminário Teológico Westminster (Califórnia/EUA). Livros: “Salvos pela Graça” Ef 2:8 e “Onde o Mundo é a Igreja”, “Cristianismo sem Cristo” [onde faz uma dura crítica às igrejas dos EUA] e outros.

 

 

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